Não quero voltar...
... mas parece que tem de ser!
Há uns meses atrás, sem eu me aperceber, enviaram-me para o paraíso.
De gata borralheira depressa passei a princesa, ainda habituada a Rouen, e ao meu "lar" com pouco mais de 10 metros quadrados, agora parecia habitar um verdadeiro palácio.
Depressa esqueci a primeira semana, os mendigos e o cheiro da Ellis Street, assim como a sensação de acordar e saber que tinha uma hora de caminhada pela frente, até chegar ao trabalho... o clima não foi um problema- quem passou 6 meses a ver um céu cinzento e a heroicamente envergar uma t shirt apesar do frio, acordar todos os dias com um céu azul e o termómetro acima dos 20 graus (a maioria dos dias, muito acima) é pêra doce.
Há uns meses atrás, sem eu me aperceber, enviaram-me para o paraíso.
De gata borralheira depressa passei a princesa, ainda habituada a Rouen, e ao meu "lar" com pouco mais de 10 metros quadrados, agora parecia habitar um verdadeiro palácio.
Depressa esqueci a primeira semana, os mendigos e o cheiro da Ellis Street, assim como a sensação de acordar e saber que tinha uma hora de caminhada pela frente, até chegar ao trabalho... o clima não foi um problema- quem passou 6 meses a ver um céu cinzento e a heroicamente envergar uma t shirt apesar do frio, acordar todos os dias com um céu azul e o termómetro acima dos 20 graus (a maioria dos dias, muito acima) é pêra doce.
A superficialidade dos americanos não me incomoda, devo confessar que até me agrada. É uma superficialidade sincera, que de quando em quando nos surpreende pela positiva. Não é como em França, que são todos muito amigos mas, especialmente no trabalho, quando podem pisam-nos, e com força, não vá a gente levantar-se e ripostar. Em Portugal, o facto de toda gente pensar que se conhece e se meter na vida alheia incomoda muito. Saímos de casa, com pelo menos meia dúzia de olhos a acompanhar-nos enquanto observam o que levamos vestido, a cor do nosso cabelo, se estamos mais gordos ou mais magros e mais um cem número de observações inúteis. Cultiva-se, entre vizinhos, uma antipatia disfarçada por entre um bom dia, que foge por entre dentes, e uma cara mal encarada... Há o vizinho que deixa o lixo à porta, e que apesar das queixas o continua a fazer; o que põe a música aos berros, quer seja cedo ou tarde; a que atira àgua pela janela fora; o que deixa o carro estacionado no meio da rua... Parece que há um certo prazer em irritar o parceiro, em tira-lo do sério. ok, aqui a minha vizinha do lado também não sorri muito e também faz barulho, aliás fazia. Tirava-me do sério! E eu habituada aos modos portugueses, detestava-a cada vez mais, na minha ideia ela sabia perfeitamente que me estava a incomodar, e nada fazia para o evitar, mas muito pelo contrário. Um dia, numa atitude típica do sítio que me viu nascer, acrescentei ao meu "calem-se " (em inglês, claro) repetido nos momentos de mais desespero, uma pancadita ou deverei dizer murro, na parede. Fez-se silêncio e nunca mais!
Não quero voltar a viver debaixo de mil olhares curiosos de pessoas que nada me dizem.
Quando regressei a Portugal vinda de Rouen, reparei numa coisa, que enquanto lá estive me passou ao lado: os portugueses gostam de clones! Riam-se... a primeira vez que voltei a sair à noite, e que saudades tinha, à minha frente iam 5 raparigas com o mesmo corte de cabelo (comprimento e tudo), o mesmo estilo de roupa... na discoteca todos bebiam a mesma bebida, tinham a mesma pose, falavam das mesmas coisas. Senti-me um ovni e pior, uma pressão imensa de entrar naquele mundo que já me era estranho ou viver para sempre no mundo à parte, onde quem tem piercings e pulseiras aos picos é drogado, se não ouve músicas "normais" ou não vê os filmes dos tops, é maluco... e por aí fora. Aqui cada um anda como quer, Ok também há alguns movimentos clones, de calções da época passada e calças de ganga dos anos 80. Mas não, aos americanos não lhes interessa muito bem as aparências, a verdade é que o que eles querem mesmo saber é quanto cai ao fim do mês, e nem querem saber se é "doutor".
Não quero voltar a viver debaixo de mil olhares curiosos de pessoas que nada me dizem.
Quando regressei a Portugal vinda de Rouen, reparei numa coisa, que enquanto lá estive me passou ao lado: os portugueses gostam de clones! Riam-se... a primeira vez que voltei a sair à noite, e que saudades tinha, à minha frente iam 5 raparigas com o mesmo corte de cabelo (comprimento e tudo), o mesmo estilo de roupa... na discoteca todos bebiam a mesma bebida, tinham a mesma pose, falavam das mesmas coisas. Senti-me um ovni e pior, uma pressão imensa de entrar naquele mundo que já me era estranho ou viver para sempre no mundo à parte, onde quem tem piercings e pulseiras aos picos é drogado, se não ouve músicas "normais" ou não vê os filmes dos tops, é maluco... e por aí fora. Aqui cada um anda como quer, Ok também há alguns movimentos clones, de calções da época passada e calças de ganga dos anos 80. Mas não, aos americanos não lhes interessa muito bem as aparências, a verdade é que o que eles querem mesmo saber é quanto cai ao fim do mês, e nem querem saber se é "doutor".
Não quero voltar a ter de ser igual a toda gente.
Já não me lembro do que é ter a roupa e o cabelo a cheirar a cigarro. E não é porque de repente deixei de fumar, porque quem me conhece sabe que não fumo. Mas sair em Portugal significa voltar a casa a cheirar a fumo! É inevitável. Mesmo que se vá para uma esplanada... O fumo de cigarro persegue-nos, desde o restaurante/café, faculdade, paragem de autocarro, centros comerciais... e até nos elevadores! Não tenho nada contra os fumadores, mas irrita-me estar a comer carne com sabor a cigarro, beber café com sabor a cigarro e, entrar no elevador de manhã, que cheira a cigarro! Aqui é raro ver alguém fumar, e devo dizer que me dá uma certa satisfação ver os fumadores no aeroporto, dentro de uma salinha de vidro, cheia de fumo. Faz-me lembrar um mágico que vi na Tv quando era pequena (mais pequena) que punha fumo dentro de bolas de sabão...
Não quero voltar a ser defumada.
Inveja... coisa feia! Não me digam que não, Portugal está cheio de invejosos! É raro alguém ficar sinceramente satisfeito com os sucessos do parceiro do lado. E quando, por alguma razão, esse é bem sucedido há que pôr algum defeito... ou é cunha, ou anda a dormir com não sei quem, ou não faz nada, ou teve sorte!
Quando fiz Erasmus era o que mais ouvia "eiiii que cena pah, que sorte, como é que conseguiste isso?" " eiiiiii, fogo tu é que tens boa vida, vais para fora, eiiii" . Excusado será dizer como isso me irritava. Boa vida? Pois sim... gostava de ver metade das pessoas que assim pensam , a sair de casa dos papás, deixar o seu quarto com tv, video e afins, deixar de ter cama, roupa lavada e comidinha na mesa, e apanhar um avião, comboios, autocarros e metros, com uma mala de 50 kg , a subir escadas rolantes paradas, numa corrida contra o tempo para ainda ouvir a recepcionista da residência dizer , tem sorte que já são 5 h e eu ainda a deixo entrar hoje... Gostava de as ver chegar à terra do tio Sam, sem garantias de ter casa, e ter de andar a procurar, enquanto dormia em camas desconhecidas ou até mesmo no chão. Gostava de os ver andar uma hora para ir trabalhar, duas horas para ir as compras... para não falar do básico cozinhar! Boa vida! Deixar amigos e familia para trás, ir para um país que não fala a nossa lingua, e maioria dos seus habitantes nem sabe muito bem onde fica Portugal... boa vida! Trabalhar todos os dias, entrar cedo, sair quando der... perder fins de semana, não saber em que feriados se trabalha ou não... quem diz boa vida, está apensar que eu estou esticada numa dessas praias a apanhar sol enquanto fumo um cigarrinho e vejo uns surfistas a passar. grrrr
Não quero voltar a ser alvo de inveja.
E podia continuar a lista...
Não me tornei americana, não me passei para o lado do Bush, não me rendi aos hamburgers... Também não esqueci da familia nem dos amigos, do cheirinho a mar, de ouvir português sem "but" e "because" pelo meio...
Mas não me identifico com um país em que a justiça não funciona, uma Fátima Felgueiras é candidata e ganha as eleições, um homem de oitenta anos quer ser presidente da república, um país que arde todos os anos, pelas mesmas causas e que parece que ainda ninguém descobriu como combate. rPor estas e por muitas outras razões... não quero voltar, mas voltarei, obrigada.

4 Comments:
>:D<
adorava que isso do cigarro também fosse assim aqui.
tens razão! Portugal está longe de ser o paraíso perfeito! Há mtas coisas erradas e mencionaste bem algumas. Só quem é cego é q ñ vê! Mas tb há mt coisa boa por cá! Mas tu és uma pessoa do Mundo, uma aventureira! Por isso Portugal é demasiado pequeno e limitado para ti, para a tua maneira de ser e ambições! Ainda bem que nem todos somos iguais e inda bem que há pessoas como tu. Mas tenho saudades de te ter por perto... mas tb sei que nunca mais vais estar sp perto!
Ei lá... já me queres ver pelas costas e ficares com esse "jardim" (com os incêndios mais deve parecer uma espécie de cinzeiro) à beira mar plantado só para ti?!?!
Claro que não há só coisas más... a familia, os amigos, o expresso, o vinho do porto, o V|R, a ribeira, a foz, o bolhão...ou esse já fechou?!
Mesmo que esteja sempre longe, de certa maneira estou sempre perto!
Em Dezembro já me aturas a mim e às minhas maluqueiras e depois, vais querer mandar-me para a China! E olha que eu ia!
Post a Comment
<< Home