10.08.2005

"Gosto de ti mas..."

Já estão a esboçar um sorriso numa espécie de dejá-vu?
Quase que apostava que todos nós ( e não me refiro só aos escassos seguidores deste blog) que, numa fase mais recente ou mais distante da nossa vida ouvimos esta frase, que tão depressa nos pinta o coração de vermelho cor de paixão, como qual espada de esgrima, lentamente o perfura de fininho, depois da breve pausa antes do MAS. Este "mas" arrasta consigo as mais variadas surpresas, e existem tantas ou mais versões do que como cozinhar bacalhau! Não se riam, trata-se de uma conversa séria como já vão ver. Mas porque raio é que os homens ainda insistem neste tipo de abordagem?! Será numa tentativa de tornar as coisas mais fáceis, digestivas, menos dolorosas!?
Deixem-me dar alguns exemplos do fruto da imaginação dos "Adão" deste mundo.
Ora então "gosto de ti ou muito de ti (aposto que uns mais "arrojados" ainda dirão um "amo-te" ou "és a mulher da minha vida"...
mas gosto mais de Deus!
Estão-se a partir a rir? É verídico, aconteceu, e não foi dito por nenhum padre, nem por nenhum adolescente de 13 anos que tinha recebido o convite da miúda mais gira da escola, para o bailarico, e se queria livrar dá miúda de aparelho... Isto passou-se entre dois adultos que tinham partilhado uns largos anos das suas vidas, pouco depois de escolherem aquele que iria ser o seu "lar doce lar".
Análise : Depois de horas de boca aberta, mas com a frieza de quem está a ver de fora, só posso dizer que das duas uma, ou é louco ou de repente se lembrou que era novo e ainda queria curtir a vida antes de se comprometer. E como isto de dizer que pirou de vez é coisa de advogados de defesa de casos sem saída, voto na segunda hipótese.
mas não dá...
Esta é um clássico. Amaciam com o gosto de ti ou uma das suas variantes e depois refugiam-se num "não dá". A pessoa ainda meia atordoada, até acha que aquele "não dá" é uma boa razão, mas depois, de volta a casa, reparam que é mas é uma boa desculpa!Não dá porquê?! Dar o quê? Mas que raio...
Análise: O que eles querem dizer, é que começa a ser cansativo assumir uma relação com uma pessoa e ainda ter de arranjar tempo para a (s) outra(s). Não dá porque há uma incompatibilidade de horários... Ou não dá porque isto de sair à noite, catrapiscar umas miúdas enquanto se bebe uns copos com os amigos e não ser descoberto é duro...
Lembrei-me de outra, muito típica também...
mas preciso de um tempo...
Esta é um must! O tempo pode ser "só para mim", "para pensar", "para ver se é mesmo isso que sinto por ti" (mas esta última já azeda mais).
Análise: há outra (aliás meninas, não se iludam, quase sempre há outra...). A outra é daquelas que nem f*de nem sai de cima, espertalhonas devo dizer, que não se dá ao luxo de ouvir estes desaforos , qual frase tirada de filme de cinema... Ora o individuo, não sabe muito bem o que esperar dela, e como mais vale um pássaro na mão que dois a voar, segura com este cliché a pobre coitada, até ter certeza que é seguro avançar. Este tal "tempo" varia, podem ser horas, dias , meses ou até mesmo anos! Normalmente a pobre coitada sofre de amor crónico, e por isso espera, em qual liberdade condicional, sem querer meter o pé na argola porque senão é que está o caldo entornado. Enquanto isso, o dito, anda a curtir a vida, e então dependendo da sua sorte, volta para a sua "amada" (até dias melhores) ou passa a outra variante da frase. Pode ser a eu gosto de ti mas somos muito diferentes ou ainda acrescenta a esta o já referido não vai dar.
mas somos muito diferentes...
E?! Era suposto serem clones?! Ok, há diferenças incompativeis, mas essas cheiram-se à distância e quando se quer fazer esse reparo não se começa por um gosto de ti!
Análise: Este tipo está entre a espada e a parede, provavelmente já recorreu às outras variações mas não voltou atrás... Não sabe o que mais inventar e saiu-lhe esta... Por detrás disso pode estar qualquer uma das causas apontadas anteriormente.
E podia passar aqui a noite inteira, que a imaginação dos ditos mais parece um kamasutra...
Deixo aqui a última que me ocorre, sem análise contudo, porque digamos sem rodeios que nas causas destas frase e das suas variantes ou está uma mulher ou está uma fobia de compromisso, ou as duas coisas...
mas há coisas em ti que fazem sentir triste/não gosto muito (esqueci-me de dizer que podem repetir diferentes variantes na mesma conversa) e, não é a pensar agora, é a pensar no futuro, porque as coisas nunca vão mudar, e as coisas às vezes são diferentes e está tudo bem mas depois podem voltar ao mesmo, e não se sabe como vai ser, e eu sei que não quero isso mas, um dia tem de se tomar uma decisão, e quer dizer, tanto pode ser hoje , como daqui a uns meses, e não é nada decidido de repente, é um processo gradual, não se decide da noite para o dia ...
Mas porque não disseste isso este fds? Porque é que já ias desligar o telefone e só porque perguntei se estava tudo bem é que...
porque não tinha pensado nisso, só que é uma coisa que (...) não vou ser completamente feliz.
Baralhados? Confusos?
Isto é a variante "meter os pés pelas mãos"...
Por entre hmmm e silêncios infinitos, a ouvinte fica esgotada, entra em estado de choque e pensa que está no meio de um pesadelo. A coisa agrava-se quando ele repete frases sem sentido que entoam na sua cabeça e pensa, no fim de semana que passaram juntos há 3 dias, nos últimos anos, nos "és a mulher da minha vida", nos "amo-te", nos "nunca fui tão feliz contigo como agora", quando ela pensa no coraçãozinho que ele escreveu no seu quadro de frigorífico, quando ainda consegue ouvir, " porque eu trato-te como uma princesa e estou tão satisfeito por receber a rainha mãe em casa" , e "porque eu disse ao meu chefe que eram as malas da minha sogra" em frente à minha mãe, "vens cá tu ou vou aí eu"...
Quando esta frase, deixa os filmes de adolescentes, e toma a sua versão mais feroz a espada de esgrima não é uma imagem suficientemente boa. Começa por uma facada seca no coração, depois roda-a bem... a dor alastra-se do peito para o corpo todo, os olhos têm mais água que os oceanos, a cabeça fica pesada, o chão foge dos pés...
E enquanto o vilão encarna o seu papel de bom, tentando comover a ouvinte com a sinceridade, esta perante tamanho fazio de razão e frieza de discurso, limita-se a abrir a boca, soltar perguntas repetidamente, na tentativa de perceber o que não é para perceber...
Análise: (para vocês treinarem)
Notas para o sexo oposto...Meninos:
Esta frase não torna as coisas menos dolorosas!
Não é também reconfortante para a rapariga em sofrimento.
E mais do que isso, também não faz de vocês os meninos bons e sinceros do tipo filosófico de sentimentos profundos! Para dizer a verdade, faz-vos parecer uns covardes, que não têm a coragem de admitir que têm outra, andam a trair, têm medo de compromissos sérios... Se já a andam a enganar digam, se têm saudades dos tempos de solteiros e querem curtir a vida, digam, se já não a amam, digam-lhe e deixem a frase por aí.
Esta frase não é uma desculpa nem uma explicação por si só. Se nos querem fazer um favor, limitem-se simplesmente a dizer a verdade.
Ah e mais um conselho, deixem-se de tentativas de passar a batata quente, ou tentar fazer com que seja a parte oposta, vencida pelo cansaço e contra os seus sentimentos e convicções, se veja forçada a tomar a decisão, ou pelo menos, a tocar e puxar o assunto...
Isto não é nenhuma espécie de ataque, é um desabafo...de quem ainda está a tentar perceber o que se calhar não é para perceber....
Como se não bastasse a dor e o sofrimento de quem, de repente, vê uma relação assim, terminar pelo telefone, ainda é abandonada, qual cão deixado no meio da rua, porque já não ocupa o lugar de princesa e não pode ocupar o lugar de amiga, porque afinal de contas, é essa coisa indefinida, qual bicho de mato, que é catalogada de "ex namorada", e que pelos vistos, na pirâmide de relações sociais deste tipo de homem "mas", não tem lugar.
Assim, 6 anos, ora de amizade, ora de namoro, da noite para o dia, desaparecem... nem mails, nem telefonemas, nem nada...
É como se o "MAS" (pessoa) morresse sem nunca ter aparecido o corpo... o pior é que continuamos vivas, desprovidas de qualquer anestesia, sentimos hoje mais dor do que nunca...
O coração está trespassado, sentimo-nos sós num capo de golf com muitos milhares de pessoas, sem dar conta, continuamos a rever e tentar resolver o puzzle, as imagens dos bons momentos com a banda sonora dos maus passa em versão slide...
O fim de semana parece mais longo que o costume, as noites de sono parecem mais curtas...
A casa parece mais silênciosa...
... e sentimos falta do colinho da mãe, daqueles abraços sentidos, bem apertados, dos nossos amigos que estão sempre lá, para nos dar conforto.

1 Comments:

Blogger Bi said...

Então não tentaram adivinhar a análise?! Guess what... tem outra!

9:24 AM  

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